
No dia do próprio aniversário, um menino de 10 anos foi resgatado em Goiânia depois de ser encontrado sozinho, trancado dentro de um apartamento, sem água nem comida.
O resgate aconteceu na última quinta-feira (9). A criança conseguiu conversar com conselheiros tutelares pela janela do quarto.
Com sede, ele pediu água. Os conselheiros usaram uma sacola plástica amarrada a lençóis para içar uma garrafa até a janela.
Como a porta do apartamento e a do quarto estavam trancadas, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar precisaram intervir para arrombá-las.
Dentro do imóvel, os agentes encontraram roupas sujas espalhadas, lixo e comida apodrecida.
No quarto onde o menino ficava trancado havia apenas um colchão, alguns brinquedos, um ventilador e a garrafa que ele usava para fazer as necessidades.
Criança tem diabetes
Segundo a Polícia Militar, a mãe da criança disse que saiu à noite para trabalhar e trancou o filho no quarto para impedir que ele comesse sem supervisão, já que o menino tem diabetes tipo 1 e, segundo ela, correria risco ao se alimentar em excesso.
De acordo com a Polícia Civil, ela deve ser autuada por abandono de incapaz. A identidade da mãe não foi divulgada.
Moradores do prédio relataram que a situação não era novidade. A vendedora Loiana Kelly Brito contou à TV Anhanguera que já havia presenciado agressões contra a criança e chegou a alertar a mãe de que acionaria o Conselho Tutelar.
O síndico do prédio também relatou episódios frequentes.
“O menino fica o dia inteiro gritando na janela do apartamento. À tarde, as crianças saem pra brincar e ele fica interagindo com eles. É triste, machuca a gente”, afirmou.
Após o resgate, o menino foi levado a uma unidade de saúde, onde os médicos constataram que sua diabetes estava descompensada.
Segundo o conselheiro Cleiton Araújo, a glicose da criança ficou muito alterada pelo tempo em que ela ficou sem se alimentar direito. Ele foi transferido para o Hospital da Criança e do Adolescente e passou a noite internado em UTI.
O delegado Eduardo Carrara destacou outro ponto de atenção no caso: o apartamento tinha canetas de insulina ao alcance da criança, medicamento considerado perigoso para uso sem supervisão de um adulto.
Ao Conselho Tutelar, o menino disse que gostaria de morar com o pai. Segundo o conselheiro José Roberto, o órgão vai avaliar essa possibilidade junto ao Juizado da Infância e da Juventude.
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FonteBrasil Paralelo