Pré-candidato ao Senado é alvo da Polícia Federal no Rio de Janeiro

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A Polícia Federal realizou nesta terça-feira a sexta fase da Operação Unha e Carne. A ação tem como alvo uma organização suspeita de usar postos de combustíveis para lavar dinheiro no Rio de Janeiro.

Entre os alvos estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e atual pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do estado.

De acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo teria movimentado mais de R$7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações também apuram a participação de agentes públicos no esquema.

Os policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão em diversas regiões do estado do Rio. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades de empresas ligadas ao grupo.

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.

Pré-candidato ao senado envolvido

Márcio Canella foi vereador de Belford Roxo, depois deputado estadual por três mandatos, e chegou a ser vice-prefeito da cidade entre 2017 e 2019.

Eleito prefeito em 2024, renunciou ao cargo em abril deste ano para concorrer ao Senado, com apoio de Flávio Bolsonaro.

Marcus Amim comandou a Polícia Civil do Rio entre outubro de 2023 e agosto de 2024, após a Assembleia Legislativa aprovar uma lei que permitiu a delegados com menos de 15 anos de carreira assumir o cargo.

Em 2018, ainda como deputado, Canella propôs que Amim recebesse a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj.

A operação já atingiu autoridades civis e religiosas

A investigação começou apurando um suposto vazamento de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho. A primeira fase levou à prisão do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, hoje cassado.

A segunda prendeu um desembargador do TRF-2 suspeito de repassar informações a Bacellar.

Já a terceira e a quarta fases resultaram em novas prisões, incluindo a de um deputado estadual investigado por fraudes em contratos da Secretaria de Educação do Rio.

Na fase mais recente antes desta, na última quinta-feira (2), a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, pai da deputada Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, investigado por ligação com um esquema de comércio ilegal de cigarros conhecido como “Máfia do Cigarro”.

Na ocasião, também foram cumpridos mandados contra o chamado “bicheiro” Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e novamente contra Bacellar, ambos já presos.

As defesas de Márcio Canella e Marcus Amim ainda não se manifestaram.

A Brasil Paralelo investigou a crise de segurança brasileira em uma das maiores produções sobre o tema, a série Entre Lobos.

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