O resultado das eleições deste domingo (25) deixou uma equação que a sociedade brasileira precisa resolver. Ainda estamos tentando compreender a matemática que permitiu um salto de proporções históricas na votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno.
O petista, que teve 53.879.538 votos no primeiro turno, conquistou aproximadamente 10 milhões de votos a mais do que na primeira etapa da eleição, terminando a disputa com 64.256.232. Flávio Bolsonaro, que venceu Lula no primeiro turno com 56.104.503 votos, ampliou sua votação em aproximadamente 3 milhões de votos. A diferença entre os crescimentos é gritante. De onde vieram esses 10 milhões de votos para Lula?
A matemática que não fecha
Para que esse crescimento fosse possível, seria necessário que Lula tivesse absorvido não apenas todos os votos da oposição que ficou de fora do segundo turno, que somam mais de 9 milhões, considerando Augusto Cury, Reinan Santos, Ronaldo Caiado e Zema, mas também a grande maioria dos votos brancos e nulos e, principalmente, daqueles eleitores que se abstiveram no primeiro turno. É o equivalente a um feito quase milagroso, meus amigos. Ou seja, capturar todo o eleitorado disponível no espectro político da direita e ainda mobilizar quem não havia comparecido.
Sei que esse assunto é muito delicado, mas o sistema eleitoral não pode ser tratado como uma caixa-preta imune a questionamentos. Se o crescimento de Flávio foi de pouco mais de 3 milhões, como Lula conseguiu quase o triplo, virando até mesmo estados que eram redutos do adversário?
A interferência de última hora e o atropelo à decisão do TSE
A condução dessa eleição está sob suspeita, pois deixou uma pulga atrás da orelha dos brasileiros. Essa dúvida se torna ainda mais legítima quando analisamos o episódio que marcou o próprio domingo eleitoral. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a ampliação do horário de votação até as 19h, após denúncias de restrições no transporte público. Momentos depois, o ministro informou que a decisão alcançava apenas as seções em que a votação ainda não havia sido encerrada, piorando ainda mais a confusão.
Meus amigos, o que aconteceu neste dia 25 de outubro é grave. Abre um precedente perigoso para o sistema democrático. Os especialistas falam em insegurança jurídica. Como pode a atuação individual de um ministro do Supremo interferir na condução do Tribunal Superior Eleitoral e provocar um caos na eleição de um país?
Vamos voltar para as contas!
As duas horas a mais fizeram o comparecimento subir quase 3 milhões em relação ao primeiro turno. A diferença final entre Lula e Flávio foi de aproximadamente 4 milhões de votos.
Mesmo que, hipoteticamente, todos esses 3 milhões de novos comparecentes tivessem votado em Lula, ele ganharia por 2 milhões. Ou seja, as duas horas a mais, sozinhas, não explicam o resultado final. Você concorda?
Então, venha comigo em mais um questionamento: quantos desses votos foram depositados após as 17h, durante o período da prorrogação? Em quais seções ocorreram essas prorrogações? E por que o comparecimento subiu um pouco mais justamente nos estados onde Flávio ganhou?
Depois de tantas perguntas, deixo a última para você que me acompanha nesse artigo: conseguiu fechar essa conta? Porque até agora a pulga continua atrás da minha orelha.