A vitória inesperada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou um terremoto no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, após recuar 17,34% no pior momento do pregão, o maior tombo diário desde março de 2020. Na prática, R$ 734 bilhões em valor de mercado evaporaram das empresas listadas na B3 em um único dia.
O dólar chegou a subir 12,5% durante a sessão, ultrapassando a barreira dos R$ 5,60, movimento que surpreendeu até operadores mais experientes. Os juros futuros também dispararam, com as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subindo até três pontos percentuais.
Frustração com resultado eleitoral
O movimento reflete a frustração de investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e esperavam um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. Convencidos de que o empate técnico nas pesquisas favorecia o candidato da direita, muitos consideravam a eleição praticamente decidida.
Parte dos investidores e importadores deixou de contratar proteção cambial (hedge) contra uma eventual alta do dólar. Decisão que agora se revela custosa diante da disparada da moeda americana.
Leitura do mercado
Analistas apontam que o mercado precificava um cenário de continuidade na agenda de reformas e maior controle sobre os gastos públicos. A surpresa eleitoral forçou um reposicionamento abrupto dos portfólios, com investidores correndo para ativos de menor risco. A expectativa agora se volta para os primeiros sinais do novo governo em relação à política fiscal e à composição da equipe econômica.