Meus amigos, confesso que ao ler a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos, tive uma sensação contraditória. Por um lado, alívio. Por outro, muita preocupação com o cenário político do nosso país e com o que considero sinais preocupantes de revanchismo e perseguição política.
Minha preocupação vai além da viagem. Está no contexto em que tudo isso acontece. Menos de 48 horas após o resultado do segundo turno da eleição presidencial, o senador foi alvo de medidas judiciais e na sequência, deixou o país. A decisão de Moraes foi tomada no âmbito de uma investigação que corre sob segredo de Justiça.
A imposição de restrições a um senador da República logo após o encerramento de uma eleição presidencial gera desconfiança. E isso alimentou ainda mais a percepção de que a direita ligada ao bolsonarismo está sendo perseguida por meio de decisões judiciais.
E não é só esse episódio que merece atenção. A própria eleição deste ano foi marcada por uma decisão polêmica. No domingo (25), o ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em todo o país, diante de relatos de dificuldades no deslocamento de eleitores. A medida foi tomada durante o segundo turno, a poucas horas do encerramento previsto. Questionar esses procedimentos não significa contestar o resultado das urnas. Mas, no mínimo, deixa o caso suspeito devido a ligação política dos juízes envolvidos.
Quer outro exemplo? Chegamos a esta terça-feira, dia 27 de outubro, aniversário do presidente Lula. A pedido do Partido dos Trabalhadores, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigue possíveis interferências estrangeiras e suspeitas de financiamento externo relacionado à campanha de Flávio Bolsonaro.
Não sou jurista e não pretendo discutir aqui o mérito de uma investigação que ainda precisa apurar os fatos. O que me chama a atenção é a sequência dos acontecimentos e os personagens envolvidos. Não podemos ignorar os vínculos políticos anteriores de integrantes do Supremo. Cristiano Zanin foi advogado de Lula, enquanto Flávio Dino ocupou cargos políticos antes de chegar à Corte. Alexandre de Moraes foi secretário do governo de Geraldo Alckmin, em São Paulo. Esses fatos, isoladamente, não comprovam parcialidade. Mas, diante de decisões que afetam diretamente opositores do atual governo gera desconfiança.
Os acontecimentos estão diante dos nossos olhos. A democracia brasileira está em vertigem, cambaleando igual barata tonta e fingir que não há motivos para preocupação não resolve o problema.
Só não vê quem não quer.